Na tarde de ontem tive um produtivo debate via Twitter. Aliás, ando deslumbrado com esta nova e fantástica rede social. Até então, quem sabe apenas o MIRC tivesse constituído uma rede social com tamanha riqueza de debates, troca de idéias e conteúdo. Mas voltemos ao “debate”, se é que podemos chamar a discussão entre este blogueiro e o professor Paulo Ghiraldelli Jr. de debate.
Fiquei conhecendo o professor Ghiraldelli esta semana. Soube dele por uma jovem twiteira, de quem tenho posições políticas e ideológicas radicalmente distintas. A jovem em questão, formada no que de “melhor” (sic) o esquerdismo internacional produziu nos últimos 100 anos, tem um blog. No tal blog ela defende posições que para mim são de um absurdo ímpar contra o Estado de Israel, posições estas que facilmente descambam para o anti-semitismo.
Entretanto, como falei, é apenas uma jovem formada no que de “melhor” (sic) o esquerdismo internacional produziu. Pelo pouco que pude conversar com ela, não leu, viu ou ouviu nada além do consenso nacional dos bem-pensantes, consenso este formado num trabalho de construção paciente da hegemonia gramsciana nos últimos 50 anos nestas Terras de Vera Cruz.
Quando debato com a tal jovem, procuro respondê-la pacientemente, argumento por argumento, no sentido de mostrar a ela que além das asnices da esquerda internacional, dos documentários da besta do Michael Moore, do que os professores esquerdistas de história papagueiam no ouvido de crianças indefesas desde a mais tenra idade, existem outras versões, outros pensamentos, outras idéias. Pode ser que tal comportamento da minha parte não resulte em absolutamente nada e ao fim e ao cabo ela continue pensando as mesmíssimas coisas que pensa agora. Entretanto, se eu me considero em uma situação de melhor informação, melhor formação e mais experiência do que alguém, automaticamente tenho de me colocar em uma posição de maior responsabilidade. Devo buscar através de argumentos clarear a discussão. Não posso me dar o direito de me comportar como uma criança birrenta, tentando vencer o debate a todo custo, mesmo que apelando para a baixaria, para os xingamentos, para a agressão pura e simples.
Tenho certeza que não sou o único a pensar assim. Mesmo no Brasil deformado por este trabalho de hegemonização gramsciana, ainda resta muita gente boa que ainda consegue manter uma saudável mentalidade democrática. Entretanto, ao conhecer o tal professor Ghiraldelli ficou evidente que ele não se enquadra neste grupo.
Quando a dita menina se referiu a tal figura, seu estado emocional estava bastante abalado. Como toda e qualquer jovem formada no esquerdismo, ela também tinha criado seus ídolos, seus modelos, suas referências. E o tal professor estava entre elas. Tendo solicitado a ele que desse uma olhada em seu blog, foi respondida após a olhada com uma enxurrada de impropérios sobre sua posição em relação ao Estado de Israel. Ao invés de clarear, obscureceu. Ao invés de explicar com argumentos para uma jovem formada por gente como ele o porquê ela não deveria ser contra a existência do Estado de Israel, preferiu logo rotulá-la como anti-semita. Sem dúvida caso para estudo de pedagogos relativamente a métodos educacionais.
Mas sou de uma formação política e intelectual que transitou com bastante desenvoltura por diversas posições radicais e por que não, também por diversos radicalismos. Preferi entender que o professor apenas exagerou na forma. Que talvez o conteúdo pudesse se salvar. Pessoas inteligentes tendem a achar que as pessoas com quem debatem ou procuram contato intelectual são tão ou mais inteligentes do que elas. Já pessoas burras, pensam que os outros são mais burros ainda e que podem fazê-los de idiota com a mesma facilidade com que são feitos.
Pois bem, fui tentar manter um debate com o tal professor Ghiraldelli via twitter, para ver, como dizem os jovens, qual era a dele. E vi que a dele é o que existe de mais atrasado, mais reacionário e mais anti-intelectual possível. Vi que a dele não aceita divergências. Vi que a dele é anti-democrática. Vi que a dele é aquela formada na pocilga que se transformaram as ciências humanas nas universidades brasileiras. A dele é daquele tipo que forma o tipo de fascistóides vistos em ação na UNIBAN. A dele é do tipo que aciona a boca (ou os dedos para teclar, no caso da web) antes de acionar o cérebro. Em suma, um cérebro com formatação muito próxima da formação intestinal dos mosquitos.
Quando começou o debate, interpelei-o no sentido de que suas posições estavam muito próximas da máxima leninistas do: “Acuse-os daquilo que você é. Diga que fazem aquilo que você faz”. E esse comportamento fica claro quando ele usa uma argumentação rastaqüera para tentar igualar os desvios éticos do governo FHC (que ocorreram, é fato) com a máquina de corrupção e cooptação de todo o aparelho de Estado montada pelo PT. Ele me respondeu com a corte que deve tentar fazer sempre a tucanos ingênuos, dizendo que era totalmente anti-estalinista e simpático a FHC.
Pouco se me dá na telha se alguém é simpático ou não vai com a cara de FHC. Conheço o ex-presidente de tê-lo entrevistado uma vez e muito rapidamente, além de ter assistido a uma palestra sua. Acho que seu governo teve o enorme mérito de ter acabado com a hiper-inflação e estabilizado economicamente o país. E teve um monte de deméritos, em especial ao criar a máquina de financiamento do onguismo esquerdóide, garantindo a pujança de um movimento terrorista como o MST e dar início ao aparelhamento dos Fundos de Pensão, que foi resultar no monstro de um Estado quase Total como o que vemos hoje no governo petista.
Contra-argumentei, dizendo que se por um lado ele poderia não ser estalinista, ficava evidente sua filiação esquerdista e como tal, herdeiro do estalinismo. Não caio na esparrela esquerdista sobre não ter nada a ver com o “socialismo real”, ou com o “estalinismo”, simplesmente porque seja qual for sua variante, aonde eles assumem o poder os métodos e os resultados têm sido invariavelmente os mesmos. Disse que no máximo ele era um gramsciano, o que traduzido da esotérica gramática esquerdista significa tão somente um estalinista alfabetizado.
Aí acabou o debate. Na falta de argumentos do professor, os meus argumentos se mostraram exatos até o último pingo nos is. Vou reproduzir os tweets “argumentativos” do “filósofo paulistano” (é assim que o professor Ghiraldelli se auto-intitula) para mostrar com que nível de gente eu fui discutir.
@edubisotto gramsciano? ha ha ha! Você é "cabeça cheia" Nem adianta falar nada. Mas, a gente sempre tenta: http://ow.ly/EGf5
Parece que vocês duas estão juntinhas, são homossexuais ? @RFKA: RT @edubisotto Ok, so um defensor de homossexuais, mas não fascistas
Vamos dar um block neste burrinho aqui: @edubisotto
E vamos dar um block nessa mulinha aqui : @RFKA
@RFKA você é da OAB, nossa a entidade está abrigando fascistas!
@edubisotto putz, um gaúcho que abocanha o quibe! eu sabia!
@daviaraujo você é um homossexual de direita também? Quer um block?
@daviaraujo bom, se é um gaúcho que está magoadinho, vai ganhar um block, pois gaúcho burro é raro, mas tem.
@daviaraujo então adeus idiota!
Caro idiota @daviaraujo , adeus! vai block para não falar mais asneiras aqui!
@daviaraujo nossa, que cara feia, um gay não pode ser feio assim! Não arruma nada assim!
Só pra esclarecer, o @RFKA discutia com o “professor” sobre o governo FHC e o governo Lula. Essa foi a resposta em altíssimo nível que recebeu. Quando deu RT (retweet, ou replicar um tweet escrito por outro usuário, em twitês) em uma mensagem minha, o professor perdeu completamente a noção do ridículo e foi logo pra linguagem de pocilga com a qual deve estar acostumado. Já o @daviaraujo era um seguidor do professor que tão somente não gostou das agressões imbecis a gaúchos e homossexuais. Interpelou o professor e teve estas respostas.
Dá pra acreditar que um sujeito com este nível se auto-intitule “O Filósofo da Cidade de São Paulo”? Dá pra acreditar que um sujeito com este nível esteja lecionando em Universidades e formando jovens? Só mesmo vendo o que acontece pelas UNIBAN’s da vida dá pra acreditar. Jovens transformados em monstros fascistóides têm de ter em sua retaguarda intelectual e moral professores que incentivem este tipo de comportamento. Nada surge do nada, se me permitem o pleonasmo.
Sujeitos como o “professor” (sic) e “filósofo da cidade de São Paulo”, que acreditam encontrar no homossexualismo um xingamento pronto a devastar a dignidade dos adversários ideológicos, são os mesmos que dão plantão em tudo quanto é foro de defesa de minorias. Afinal, sabemos que a defesa das minorias, dos fracos e oprimidos é monopólio da esquerda. Fora disso, só pode ser fascismo. Que nojo!
É de gente deste nível que surgem regimes totalitários. É graças ao tipo de suporte intelectual deste tipo de “ser humano”, se é que podem ser classificados assim hominídeos desta estirpe, que surgem Stálin’s, Hitler’s, Pol Pot’s, Fidel’s e tuti quanti.
É gente que não acredita na política como instância para dirimir conflitos. É gente que está firmemente convicta que a política é apenas um teatro, com o único fito de eliminar os “inimigos”. Se não se pode fazê-lo fisicamente, ao menos por enquanto, que se tente moralmente.
Por último, só para esclarecer a quem não está acostumado com a linguagem do Twitter, #BLOCK é quando tornamos impossível a um usuário nos “seguir” e também paramos de segui-lo por completo. É óbvio que por trás da linguagem bossal, do comportamento de machão de bodega na favela, está o medo de ser desmoralizado diante de seus “discípulos”, diante de seus “seguidores”, não no sentido que a palavra tem no Twitter, mas no sentido empregado em movimentos de fanáticos religiosos. Esse é o tipo de mentalidade e o tipo de psique que propicia Pogroms, Campos de Concentração, Genocídios, Soluções Finais e tantos outros horrores que temos visto, em especial a partir da imersão da mentalidade revolucionária, convertida em movimento de massa a partir da Revolução Francesa. Hannah Arendt escreveu muito sobre este tipo de personalidade. É de dar medo que tenham atingido tamanho grau de influência nestas Terras de Vera Cruz.
O “professor” (sic) Ghiraldelli não é a doença. É apenas um sintoma dela. Mas um sintoma cada vez mais comum de se encontrar em nosso pobre país. Sua figura deprimente não mereceria mais do que duas linhas. Mas o que ela representa em termos de zeitgeist, em termos de espírito dos tempos, essa sim, merece uma análise mais detida.
Chego a ficar com vergonha de lhe dedicar tantas palavras. Mas a luta política e ideológica dos tempos atuais em Terras Brasilis vai muito além de uma luta por espaço e poder. É uma luta por liberdade. É uma luta pela civilização. É uma luta para que meus filhos, netos e quiçá bisnetos não tenham que conviver com o clima de pocilga intelectual que se instalou por aqui e que minha geração miseravelmente tem de agüentar diariamente.
Lutemos todos, aqueles que acreditam na democracia e na liberdade, na política como instância civilizada da resolução de conflitos e no diálogo como elemento de dissolução da dúvida. Sejamos abertos a dúvida e a incerteza, sejamos tolerantes.
Apenas não toleremos a barbárie como um dado normal do nosso dia-a-dia. Apenas não toleremos um clima de permanente terror como parte da luta política normal. Ou então, me apropriando e parafraseando o pastor Martin Niemöller, um dia não sobraram judeus, católicos ou comunistas para buscarem. Terá chegado então a nossa vez. Não toleremos a intolerância. Não aceitemos a Revolução dos Porcos. A civilização no Brasil não merece isso.
Lutemos! Um amanhã melhor certamente irá surgir. Afinal, já dizia o grande Mário Quintana, baluarte da civilização brasileira:
“Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!”.