SEM DÓ NEM PIEDADE

SEM DÓ NEM PIEDADE

Minha Honra se chama Lealdade

VVV

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O futuro da saúde

Na tarde de ontem a administração municipal brindou os veículos de imprensa com a notícia de que o Secretário da Saúde, dr. Eduardo Lopes (DEM), estava saindo de licença. Na verdade a licença do médico que respondeu pela Secretaria durante este ano é apenas uma medida para que o prefeito Saulo Sperotto (PSDB) e o Democratas possam chegar a um novo nome para a pasta. Dr. Eduardo está fora definitivamente. Uma série de fatores acabou levando ao fracasso de seu trabalho. Atritos com colegas de partido, problemas internos na Secretaria e por fim o isolamento total, levou à sua queda.

Espera-se tanto do prefeito Saulo Sperotto quanto do próprio Democratas, partido a quem cabe a indicação, uma decisão madura e bem pensada. É sabido que o problema da saúde não é caçadorense mas se deve a falência do modelo implantado nacionalmente. Entretanto temos de fazer a nossa parte e dar um mínimo de estabilidade para este setor tão nevrálgico e problemático.

Outra mudança que se espera é na busca quase obsessiva por alguém “da área” para gerir a Secretaria. Gestão não tem nada a ver com conhecimento específico de um determinado ramo. Tem a ver com conhecimento de gestão. É claro que se o gestor puder ser alguém da área, melhor, mas o que temos visto na Secretaria de Saúde são sucessivas tentativas com profissionais que não tem os mínimos conhecimentos necessários para o gerenciamento.

Gerir é lidar com pessoas, é lidar com a imprensa, é tratar com políticos, fornecedores, cobradores. Ademais, qual formação na área de gestão tem os médicos? É preciso parar com esta busca obsessiva por alguém “da área” e colocar alguém que resolva o problema “da área”.

Prefeito Saulo Sperotto, apesar de alguns problemas de caixa devido à crise financeira que se abateu sobre todas as prefeituras do Brasil, vive um bom momento político, desde a inauguração do Parque Central.

Não há dúvida de que se acertar a mão na escolha, deixará seu nome marcado na história não só pela grandiosa obra, mas também por ter solucionado um grave problema social.

Torçamos para que acerte.

CEFET/IFSC

Paulo Gianesini, do IF-SC Unidade Caçador, entra em contato via e-mail com este escriba para esclarecer sobre instalação de Escolas Técnicas Federais em Caçador e Videira. Segundo o Diretor, Caçador foi contemplado igualmente ao município vizinho e com grade curricular complementar. A construção da sede de Caçador começa em janeiro de 2010. Feito o registro.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

UDESC: um sonho difícil

O sonho de ter uma universidade pública e gratuita em Caçador, de há muito alimentado por todo o povo caçadorense, já bateu na trave duas vezes no decorrer dos últimos anos. Primeiro foi com a tentativa da instalação de um campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Entidade federal, de reconhecida excelência, representaria um salto de qualidade na educação caçadorense. Infelizmente, o governo Lula acabou preferindo Curitibanos.

Depois com a tentativa de instalação do CEFET (atualmente chamado de Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia) escola de profissionalização técnica em nível superior, também de nível federal, sob responsabilidade do governo Lula. Mais uma vez na trave. Lideranças políticas petistas de Videira deram uma demonstração de força e levaram a sede da instituição para seu município. Com duas derrotas no governo Lula, decidimos investir nossas energias na tentativa de trazer a UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina) para cá.

Após 7 anos de Governo Luiz Henrique (PMDB), Caçador certamente não tem do que se queixar. Foram muitas as conquistas e nossa região deu um salto enorme de desenvolvimento, de infra-estrutura e de representatividade, graças à ação do governador sempre em parceria com o caçadorense Valdir Cobalchini (PMDB). Primeiro na atuação de Cobalchini na Secretaria Regional, transformando a região em um canteiro de obras e graças a isso e à força política crescente daí decorrente, hoje atuando na mais importante Secretaria de Estado, a da Coordenação e Articulação.

Mas no caso da UDESC o sonho se tornou bastante difícil de ser realizado. Uma complicada equação política acabou fazendo com que hoje a mais forte candidata seja Concórdia, mesmo tendo ficado apenas com a sexta melhora avaliação técnica da própria Universidade. Que agora tenta fazer valer o critério técnico, buscando evitar uma decisão que seria ruim para a UDESC e péssima para Caçador, primeira colocada nos índices técnicos.

Nos bastidores nossas esperanças se reúnem todas nas mãos do mesmo Cobalchini que desde o começo do governo Luiz Henrique é par de vazo do governador. Com uma situação política delicadíssima para administrar, tendo de evitar o favorecimento a sua própria cidade, Cobalchini terá de demonstrar uma habilidade fora do comum para que a UDESC venha.

Se vier, justiça seja feita, terá sido tão somente por sua atuação. Até porque, os bastidores de hoje apontam para uma nova derrota. Lamentavelmente.

Desconhecem a história Rio-Grandense

Nos idos de 1835 estourava no canto sul brasileiro uma das tantas revoltas que abalaram o Império. Conhecida como Revolução Farroupilha, a revolta contra os desmandos do Governo Central e seu completo desconhecimento da realidade gaúcha, orgulha ainda hoje não só os moradores do Rio Grande do Sul, mas todos aqueles identificados com a cultura e com o tradicionalismo gauchesco. Registre-se de passagem que mesmo tendo assinado um acordo com o Governo Central, politicamente a revolta foi vitoriosa.

Passados 174 anos do início destes eventos, parece que a incompreensão sobre a alma do canto sul brasileiro continua um mistério. E hoje, de maneira pior que ontem, não é só o centro do país que não compreende a alma gaúcha. São os próprios gaúchos que confundem sua alma. Que não entendem as forças espirituais mais profundas que movem a gente desta terra. Que não entendem nossa história, nossas raízes, nossos valores.

Posso afirmar que são nossa história, nossas raízes e nossos valores, porque mesmo sendo catarinense, tenho raízes profundas em solo gaúcho. Meus antepassados italianos que vieram ao Novo Mundo em busca de uma vida melhor, aportaram primeiro por terras gaúchas. Durante a República Juliana, as terras em que eu vivo aqui em bandas antes Contestadas também faziam parte da República. Estudei durante um bom tempo no Rio Grande, morei em Porto Alegre e construí boa parte da minha cultura e da minha personalidade em solo gaúcho. Além, é claro, de ter sido ali que desenvolvi a paixão pelo futebol.

Estudando a história desta terra, deste povo, desta gente tão briosa, tão valorosa, tão ciente de seu caráter, de sua cultura e de seus costumes, não consigo entender como podem haver colorados acreditando que o co-irmão azul vá entregar o jogo contra o time carioca domingo. Não entendo como podem haver torcedores do co-irmão azul pedindo para que o co-irmão entregue o jogo. A bandeira gaúcha representa fisicamente a unidade espiritual que une as duas metades, a vermelha e a azul que compõe o Rio Grande do Sul. A bandeira de nosso estado faz-nos recordar que peleamos juntos na Revolução Farroupilha. Que recusamos ajuda dos uruguaios quando estes nos ofereceram, porque a disputa era só nossa, pela República, mas não admitíamos que estrangeiros interferissem em peleias que eram extritamente nacionais.

O nosso hino é pródigo em lições belíssimas como neste trecho em que diz:

Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo

Para ser livre a força não basta. Para ser livre, não basta ser forte e aguerrido. Para ser livre, é preciso virtude. E povo que não tem virtude acaba por ser escravo.

Outro trecho deixa claro como sempre consideramos a Revolução Farroupilha injusta. Mas era necessário mostrar nosso valor, nossa constância.

Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra

Que nossas façanhas servissem de modelo a toda terra. Mesmo em uma guerra que considerávamos ímpia e injusta.

É natural, passados tantos anos, que jovens desinformados, que de todo ignoram nossa pujante e orgulhosa história, acreditem que o co-irmão de azul irá entregar. É natural ainda que torcedores do co-irmão de azul peçam que esta entrega aconteça. O que não é natural é ver comportamento semelhante de dirigentes de quem se esperava mais preparo, mais cultura, mais maturidade, mais conhecimento da nossa história.

Entretanto, tenho uma notícia para todos que acreditam que o co-irmão de azul irá entregar. Para todos os que torcem para que o co-irmão de azul entregue para o clube carioca. Isso não irá acontecer! Pode ser que ao término dos 90 minutos, devido as circunstâncias da peleia, o co-irmão caia abatido pelo clube carioca. Pode ser que o clube carioca seja mesmo o campeão. Mas isso não irá acontecer com entrega. E não acontecerá porque a substância espiritual milenar que construiu a riqueza do Rio Grande, que construiu a pujança desta verdadeira pátria dentro do Brasil, entrará junto com o co-irmão de azul no Templo Mundial do futebol assim que o apito acionado pelo homem de preto avisar que começou a contenda.

Esta substância espiritual penetrará no inconsciente coletivo dos co-irmãos de azul, que recordarão de imediato da união em torno de Bento Gonçalves. Da união em torno dos princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Da união em torno da bandeira e do hino do Rio Grande. Da união em torno de sangue, de lanças, de mortes, de vitórias e derrotas que tem marcado nossa história. Um povo formado neste caldo cultural não se rende. Não entrega vitórias. Não faz birrinhas apenas para sacanear aqueles que se são adversários, também são co-irmãos de toda esta riqueza histórica.

Desconhecem o Rio Grande e nossa cultura os que afirmam e pedem o contrário.

Desconhecem o hino do próprio clube os que pedem ao co-irmão de azul para que entregue. "Até a pé nós iremos, PARA O QUE DER E VIER", já dizia o sábio Lúpicínio Rodrigues. "Os feitos da tua história, canta O RIO GRANDE com amor", dizia em outra passagem. É isto o que acontecerá no domingo. Um canto unido de todo o Rio Grande em torno de uma conquista que não será apenas do Colorado mais lindo de todo o planeta. Será do Estado mais lindo de todo este planeta.
Deixo por fim a letra do Canto Alegretense, que mostra um pouco do que é o verdadeiro gaúcho. E deixa claro que no domingo não haverá jogo entregue, não haverá facilitação, não haverá corpo-mole. Desde quando gaúcho faz corpo mole? Desconhecem o Rio Grande e nossa cultura os que afirmam e pedem isso. Desconhecem o co-irmão de azul e sua nobre história.

Canto Alegretense

Neto Fagundes

Não me perguntes onde fica o Alegrete
Segue o rumo do teu próprio coração
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e violão
Prá quem chega de Rosário ao fim da tarde
Ou quem vem de Uruguaiana de manhã
Tem o sol como uma brasa que ainda arde
Mergulhado no Rio Ibirapuitã
Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
Pedra moura das quebradas do Inhanduy
E na hora derradeira que eu mereça
Ver o sol alegretense entardecer
Como os potros vou virar minha cabeça
Para os pagos no momento de morrer
E nos olhos vou levar o encantamento
Desta terra que eu amei com devoção
Cada verso que eu componho é um pagamento
De uma dívida de amor e gratidão

PELO RIO GRANDE! PELA PÁTRIA! IGUALDADE, LIBERDADE E FRATERNIDADE! POR NOSSA HISTÓRIA! DOMINGO É O DIA EM QUE DEPOIS DE 174 ANOS, MAIS UMA VEZ NOS UNIREMOS. E QUEM DESCONHECER ESTES FATOS, QUEBRARÁ A CARA. VIVA O RIO GRANDE!

Um novo eixo partidário?

Coluna de 01 de Dezembro de 2009 no Jornal Informe

A eleição geral de 2010 e a perspectiva incerta que se desenha em relação à sucessão do prefeito Saulo Sperotto (PSDB) em 2012 estão gerando inúmeras e cada vez mais diversas especulações nos bastidores da política municipal. Em especial no que se refere a troca-troca partidário, que poderia ter início assim que o pleito do próximo ano fosse encerrado.

Com sua ascensão ao Executivo municipal no pleito de 2004, Saulo demonstrou que não é necessário pertencer a qualquer das forças partidárias tradicionais da cidade (PMDB, PP e DEM) para se vencer a eleição. Basta que se conte com o apoio de alguma delas e se construa um vasto arco de alianças com partidos menores. Foi exatamente o que o prefeito fez em 2004. Seu partido, o PSDB, não tinha maior expressão na cidade. A maior expressão que havia tido até então era compondo administrações municipais encabeçadas pelo PMDB. Nada além disso.

Entretanto, em 2004, mesmo não sendo de uma tradicional força partidária do município, Saulo fez valer sua liderança, seu carisma, o expressivo resultado conquistado na eleição para deputado federal em 2002, quando em sua primeira incursão no mundo eleitoral fez mais de 15 mil votos em Caçador e construiu um amplo arco, que trouxe de roldão os tradicionais PP e DEM (então PFL), mais o PL. Ampliou ainda mais em 2008, agregando além do seu PSDB, do PP, do DEM e do PR (ex-PL), o PTB e o PPS (aliados ao PMDB em 2004) e o PDT (aliado ao PT na primeira vitória de Sperotto).

A lição foi captada pelos políticos locais e já se ouvem especulações sobre troca de partidos a roldão, aqui e ali. Na bancada do PMDB seriam dois os vereadores pensando em migrar para partidos menores. O próprio presidente do PP, Itacir “Fically” Fioreze não falou poucas vezes em migrar para o PV. Antônio Rubiano Schimitz, também do PP, tem no PR, presidido por seu pai, um porto seguro caso resolva realmente se candidatar a prefeito em 2012.

Quem diz que tal articulação é impossível devido as cassações, que verifique quantos foram os parlamentares cassados por infidelidade partidária desde a nova norma implantada pelo TSE.
A morosidade da Justiça tem feito as trocas parecerem cada vez mais seguras. Caso as especulações se concretizem, um novo eixo partidário pode estar surgindo em Caçador.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

“Pede pra sair!”

Muito antes que a frase que dá título a essa coluna ficasse famosa Brasil afora na boca de Wagner Moura no papel de Capitão Nascimento em Tropa de Elite, ela já era muito usada em Caçador nos finais de semana de futebol no Estádio Municipal Dr. Carlos Alberto da Costa Neves. Até os 15 minutos do primeiro tempo para os jogadores adversários. A partir daí, se não estivéssemos ganhando de pelo menos 2 a 0, também contra algum Cristo do time local.

Ri e me diverti muito durante minha infância nas idas ao Estádio. Meu local predileto era na geral, com a turma do boteco, onde ficam e sempre ficarão os maiores corneteiros da cidade. Hiper criativos, só Deus sabe da onde tiram algumas de suas máximas. “Quem foi a cigana que te falou que você seria jogador de futebol?”, já ouvi destes torcedores. Outra: “Finge que tá com dor de barriga, vai no banheiro e não volta mais”.

Mas a geral não era só cornetagem. Também tinha seus momentos de “exército caçadorense”, na defesa da honra, da pátria e principalmente do resultado do jogo. Certa feita o juiz Dalmo Bozano, com credenciais FIFA e tudo, teve que sair sorrateiramente pela lateral do estádio, entrar em um bote e ficar com dois policiais o auxiliando a remar, para cima e para baixo, até a torcida que cercou as duas margens do rio se acalmar.

Outro episódio, este mais recente, nos saudosos idos de 1998, se deu em um jogo entre Kindermann e Figueirense. Abrimos 2 a 0. E o Figueira, com um time já na segunda divisão do Brasileiro, caminhando a largos passos para a primeira buscou o empate. Jogo equilibrado, disputado, bonito. A melhor equipe formoada na década passada em campo. Aos 35 do segundo tempo, Carlinhos, zagueiro do Figueira que depois foi para o Bahia e deve ter rodado o mundo dá um soco em Patrício dentro da área do Kindermann em cobrança de escanteio. O juiz expulsa os dois. Mesmo com Patrício nocauteado no chão. Era o que precisava para despertar a briosa Geral.

A pressão foi num crescendo. Até que aos 47, em brilhante jogada de contra-ataque, Luciano, lateral esquerdo dispara com a bola pelo lado direito e Paulinho França, que jogava como ponteiro esquerdo, corre na direção oposta. Luciano cruza e Paulinho de cabeça guarda. O bandeirinha não corre para o centro. E como se houvesse combinado antes, a geral inteira se dependura ao alambrado, pronta a invadir. Sabiamente o juiz corre para o centro. Saudosos tempos. Tomara que voltem algum dia.

Excelente final de semana aos três leitores de espaço!

Aécio/Alckmin - A chapa para vencer

A corrida da sucessão presidencial começa chegar em sua reta decisiva. Como sempre o profissionalismo petista antecipou o jogo. Lula tem de ter algum problema de ordem psicológica com FHC. Reinaldo Azevedo e outros psicanalistas, muito mais gabaritados que este humilde escriba interiorano para este tipo de análise, já identificaram que o problema pode estar na falta da presença paterna na infância e adolescência, o que gerou uma personalidade completamente desprovida de superego.

Quem sabe, inconscientemente, Lula buscou em FHC, que conhece e convive politicamente desde a década de 70, tendo feito até mesmo campanha para o ex-presidente em 78, a figura do pai que não teve. E como personalidade psicológicamente mal-formada, segue a tentativa de "matar o pai" até os dias de hoje, com medo de que este o "castre". Por isso, talvez, a cópia escancarada de todas as políticas públicas do antecessor ao mesmo tempo em que demonizava seu governo. Por isso talvez, a escolha de uma sucessora burocrata e insípida, desprovida de personalidade política própria, exatamente como FHC fez com José Serra em 2002.

A diferença entre Lula e FHC está no "esquema" que está por trás de ambos. Enquanto FHC foi produto da união das elites nacionais em 1994 para conter o petismo, além é claro de seu brilhante Plano Real que o catapultou a Presidência, Lula é fruto de um esquema organizacional infinitamente mais profissional. Um mixto dos intelectuais do PCB e o profundo estudo que realizaram sobre o Brasil, com o tempero do euro-comunismo, especialmente o italiano/gramsciano, aliado a base social que tradicionalmente tinha sido do getulismo, enraizada profundamente no movimento sindical brasileiro. Em suma, no Brasil foi realizado o sonho da revolucionária polaca-alemã Rosa de Luxemburg. Um partido de esquerda, revolucionário e ao mesmo tempo "democrático e de massas". Um verdadeiro monstro, que para ser confrontado deveria encontrar no movimento conservador no mínimo o mesmo nível de entrega da militância, de esclarecimento dos dirigentes e de dedicação de todos os que ainda apreciam a civilização. Infelizmente não é exatamente o que acontece por estas paragens.

Mas vamos adiante. Em Terra de Vera Cruz, o movimento democrático (não o conservador, que mesmo tendo uma base social enorme em termos potenciais, carece de lideranças) tem levado muito mais sorte que juízo. Isso se deve em boa parte a que o nosso povo, o povo brasileiro, ainda traz arraigado em si profundos valores cristãos, conservadores, de respeito a vida, contra o "multiculturalismo" basbaque importado por meia-dúzia de pseudo-intelectuais globalistas e que acabou se tornando consenso no universo mental da "elite bem pensante" brasileira. Nosso povo não gosta disso e vota buscando alternativas contra este lixo. Por isso é possível o surgimento de enclaves anti-petistas visíveis como os de Minas Gerais e São Paulo, além é claro do favoritismo da oposição para o próximo ano.

Na eleição do ano que vem, o movimento democrático terá uma chance enorme de varrer o petismo por um bom tempo do mapa político nacional. Pelo menos do comando central, já que os vermes continuarão parasitando por um bom tempo Fundos de Pensão, Conselhos de Empresas mistas, em que o governo e fundos de pensão sindicais têm assento, além é claro da míriade de "movimentos sociais", "ONG's", dentre outras estruturas de parasitamento e assalto ao Estado que tão bem o esquerdismo nacional domina.

Tal chance se dá pela candidatura do grande governador mineiro Aécio Neves (PSDB). Neto de um dos maiores políticos conservadores que este país já teve, jovem, com visão de futuro, grande administrador e com a fundamental característica da agregação, fundamental para se governar em uma Federação gigantesca e esgarçada como é o caso da brasileira, Aécio tem tudo para vencer a eleição ancorado em uma grande aliança partidária, fugindo do isolamento que o petismo tenta impingir à aliança PSDB/DEM/PPS.

Talvez os três leitores do blog que aguentaram a leitura deste modorrento texto até aqui o porque deste chato escriba interiorano ainda não ter mencionado o Governador de São Paulo José Serra. O motivo é simples. Até ano passado eu estava convicto de que ele era o melhor candidato para o campo democrático vencer as eleições ano que vem. Entretanto, uma série de análises, leituras e observações que tenho feito me levaram a chegar a duas conclusões: primeiro, que o próprio governador não se candidatará. Em 2006 ele foi o escolhido e refugou. Mesmo vencendo Lula no segundo turno e embolando no primeiro. Segundo o Grande Presidente FHC, em recente perfil de Serra traçado pela revista Piauí, o Governador só vai na boa. Dificilmente arrisca alguma coisa. Perfil típico de burocrata. Só foi em 2002 porque acreditou na máquina do governo. Não entendeu que era uma máquina em frangalhos naquela altura e que nada poderia fazer para salvá-lo. Segundo: se for candidato Serra não ganha. O Governador paulista se transformou em uma espécie de Lula da direita. Tem um alto recall de largada, mas seu teto é muito baixo. Mais do que crescer em uma campanha, sua tendência é de queda. Ambos fatores combinados, a conclusão é simples: o candidato do campo democrático nas eleições do próximo ano será mesmo o governador mineiro Aécio Neves.

Aécio tem até o momento dois calcanhares de Aquiles para solucionar. O risco de uma cristianização de sua candidatura em São Paulo é o primeiro. Cristiano Machado foi o candidato a presidente pelo PSD em 1950, concorrendo contra Getúlio Vargas (PTB) e Eduardo Gomes (UDN). No meio da campanha seu partido abandonou-o e saltou para o colo do "pai dos pobres" Getúlio. O segundo risco é o do desconhecimento nacional. Para matar com estes dois calcanhares de uma cajadada só, a solução seria colocar Geraldo Alckmin (PSDB-SP), candidato a presidente derrotado em 2006, como seu vice. Simples assim.

É estranho que o pessedebismo paulista que é tão enfático com todos seus tentáculos na imprensa em mostrar que Aécio deveria ser vice de Serra não tenha pensado ainda nesta hipótese. É natural que Serra não seja o vice de Aécio, afinal pode disputar uma reeleição certa ao Palácio dos Bandeirantes. Mas porque não Alckmin, nome já nacionalizado, que traria o maior colégio eleitoral de roldão para a campanha aecista, não pode ser o vice? Seria a solução perfeita e com sorte, trazendo pelo menos a metade do PMDB, rachando o consórcio lulista á direita com PP e PTB e talvez á esquerda com PSB e PDT, Aécio poderia levar a eleição no primeiro turno.

Aliados são atraídos pela perspectiva de vitória que uma chapa Aécio/Alckmin ofereceria logo de largada. O prato está pronto. É só as lideranças tucanas terem o bom-senso e a rapidez necessária para servi-lo. Se esperarem demais, corre o risco de azedar. E aí entregamos mais uma eleição ganha de bandeja na mão do campo populista. O campo democrático e os milhões de brasileiros que não aguentam mais a era da mediocridade no poder não merecem isso.

É definir a candidatura mês que vem, ou no máximo até a primeira quinzena de janeiro, definir a vice até março (Alckmin), articular as alianças até maio e correr para o abraço. O Brasil quer. O Brasil precisa. O Brasil merece.

Aécio presidente. Alckmin vice. A chapa para vencer!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Quando Caçador está acima

Nosso humilde município, situado em um pedaço de chão que um dia já foi conhecido como “as terras Contestadas”, têm suas peculiaridades. Há quem afirme que “tem coisa que só acontece em Caçador”, com um tom entre a galhofa e o escárnio. Concordo, mas analisando de outro ponto de vista, este, positivo. Uma das principais peculiaridades de nosso humilde município é a postura que suas principais lideranças, sejam políticas ou empresarias adotam quando o interesse maior de Caçador entra em jogo.

De imediato, interesses menores ficam de fora. Toda e qualquer disputa por tais interesses fica de lado para outra hora. Afinal, usando das palavras que ouvi tantas vezes destas lideranças, “Caçador está acima”. No mundo inteiro, concordam dicionários em todos os idiomas, elite é “o que há de melhor numa sociedade ou num grupo social”. Nada mais verdadeiro quando tratamos das lideranças caçadorenses.

Os exemplos mais recentes desta postura foram a UNIARP e o Parque Central. Em ambos os casos, lideranças políticas e empresarias dos mais diversos grupos e partidos se uniram em torno de duas causas do interesse, sobretudo, do município. Da coletividade. E que fique o registro para a história de quem foram os lutadores por ambas as grandiosas conquistas para Caçador.

Da parte das entidades, destaque-se o empenho da FIESC e da ACIC, além de inúmeras lideranças empresariais que atuaram individualmente na luta por estas conquistas. Da área política, merecem agradecimentos o Secretário de Estado da Educação Paulo Bauer (PSDB), a deputada federal Ângela Amin (PP), o deputado estadual Giancarlo Tomelin (PSDB), o deputado estadual Reno Caramori (PP), o Secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico Onofre Agostini (DEM), o prefeito de Curitibanos Wanderley Agostini (DEM), além do presidente estadual de honra do PSDB Dalírio Bebber e do vice-governador Leonel Pavan (PSDB). Todos estes políticos deram sua contribuição.

Que certamente ajudou muito, mas a maior de todas as contribuições na área política certamente veio do Secretário de Estado da Coordenação e Articulação, Valdir Cobalchini (PMDB), atualmente o terceiro homem mais forte do governo.

Todos de parabéns, em especial Caçador. Que agora tem Universidade própria e mais bela obra pública do estado. Com perdão do chavão já batido, mas mais uma vez fica provado: A União faz a Força!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

2012: A culpa não é minha

Um clima perigoso tem tomado conta do Brasil. Começou a se esboçar ainda no primeiro governo Lula e tomou forma mesmo neste segundo governo, com a chegada de Franklin Martins ao Ministério da Comunicação. O clima perigoso que vem tomando conta do Brasil é o da tentativa permanente de desmoralização da imprensa.

Regimes e governos ditatoriais não convivem bem com a crítica. Ao contrário de regimes e governos democráticos. Nenhum governo gosta de ser criticado. Entretanto, regimes e governo democráticos entendem a crítica como parte necessária do processo e não a demonizam. Não buscam criar entraves para sua realização e nem atacam constantemente seus críticos.

Como nosso humilde município fica localizado no Brasil, não passaríamos imunes a tal clima. A crítica saiu do terreno das idéias e se dirigiu para o pantanoso terreno da tentativa de desmoralização. Recentemente critiquei o modelo do esporte caçadorense. Deixei claro que era um problema de três décadas, um erro de foco que tinha se perpetuado. E minha crítica se devia aos resultados do JASC, que deixavam ás claras o erro no modelo.

Entretanto, na coletiva que os técnicos deram a imprensa, o técnico de basquete deu a entender em sua fala que a imprensa tinha culpa nos resultados pífios trazidos de Chapecó. É parte do clima que tomou conta do país nos últimos anos. Se algo dá errado, se aliados são pegos com dinheiro na cueca, se se descobre que o governo está tentando comprar o Parlamento inteiro, se os resultados no JASC não vêm, mesmo com um orçamento gigante da Fundação Municipal de Esportes, a culpa só pode ser da imprensa.

Quantas modalidades a imprensa disputou nos últimos JASC? Quanto dinheiro ela recebeu da FME pra promover o Esporte em Caçador? Em que momento ela atrapalhou treinamentos e a preparação das equipes? É preciso de mais racionalidade no processo.

Neste sentido está de parabéns o Chefe de Gabinete do prefeito Saulo Sperotto (PSDB) Munir Bittar (PSDB), que mesmo sem ter nada a ver com os pífios resultados, foi á coletiva e não tentou transferir responsabilidades. Também está de parabéns o presidente da FME, Beto Ferraz (PPS), que segundo apurou este colunista, já está atrás de soluções para o esporte caçadorense. Isso é racionalidade.

Para concluir, em 2012 os maias previram uma mudança de ciclo (não o fim do mundo, como alguns exagerados estão dizendo). Juro que o que vier a ocorrer em 2012 não é culpa minha. E até onde eu sei, nem da imprensa.

A era da Mediocridade - Blog do Augusto Nunes, na Veja

Entre as perfídias produzidas pela Era da Mediocridade figura o banimento dos melhores e mais brilhantes. No mundo inteiro, concordam dicionários em todos os idiomas, elite é “o que há de melhor numa sociedade ou num grupo social”. Na novilingua companheira, elite passou a identificar o conglomerado de loiros de olhos azuis, reacionários golpistas, ultraconservadores de alta periculosidade, carrascos dos pobres. O antônimo da palavra maldita, claro, é povo.

"INTERNET: O NOVO É QUE AGORA PODEMOS VIGIAR OS GOVERNOS"!

Do ex-Blog do Cesar Maia

Trechos da entrevista do sociólogo Manuel Castells, (El País, 24)

1. Se as pessoas se sentem sós, estarão menos sós com a Internet. O uso da Internet favorece a sociabilidade e diminui a sensação de isolamento. Quem a utiliza, tem mais amigos, sai mais frequentemente, participa mais politicamente, tem maiores interesses e atividades culturais. Internet expande o mundo.

2. Com ela a capacidade de investigar é como nunca existiu. Se você sabe onde buscar (que é a grande condição) e o que buscas, pode estar sempre atualizado.

3. Os Estados têm medo da Internet porque perderam o controle da comunicação e da informação, em que basearam seu poder ao logo da história. Ela é útil para a educação, os serviços públicos, a economia. O Estado entra na privacidade das pessoas. E sempre o fez, com ou sem uma ordem judicial. Se quiser, nos vigia. Todos os governos do mundo o fazem. O NOVO é que agora nós podemos vigiar os governos.

4. Internet altera as relações de poder, incrementando o poder dos que tinham menos poder. Isso não quer que os que sempre tiveram poder deixem de tê-lo. Tem, mas tem menos. No mundo dominado pela TV, as imagens ativam o medo. No mundo livre da Internet pode-se ter suficientes imagens de outro sentido para ativar seus outros elementos metafóricos, e assim diminuir o medo e aumentar a confiança.

5. Os jornais desocuparão os espaços de hoje, no dia em que a edição de papel seja um produto de luxo, que só alcançará às elites. Quando se pagar 30 reais por um jornal de papel, a maior parte dos leitores irá ler notícias na web.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Compromisso com Caçador e o Contestado

A conquista do prefeito Saulo Sperotto (PSDB), atual presidente da Fundação de Turismo do Vale do Contestado (CONTTUR) ao emplacar emenda coletiva da Bancada Federal Catarinense no valor de R$ 19,9 milhões no Orçamento da União para o próximo ano, tende a gerar uma verdadeira revolução em toda a região. E os méritos têm de ser dados a quem merece.

Sem ignorar o fato de que a decisão da bancada em apoiar o projeto foi unânime, vale destacar o empenho do deputado federal Celso Maldaner (PMDB) para que a emenda fosse emplacada. E é um apoio que se torna ainda mais importante, levando em consideração a força que Maldaner tem demonstrado junto ao Governo Federal. Recentemente, graças à interferência sua no Ministério da Agricultura, do correligionário Reinhold Stephanes (PMDB), liberou mais de R$ 200 mil para melhorias no parque de máquinas da nossa Secretaria da Agricultura.

Celso é um legítimo representante da escola Maldaner de política, na qual foi educado o caçadorense e atual Secretário de Coordenação e Articulação Valdir Cobalchini (PMDB). Durante muitos anos o lado folclórico da escola apareceu mais, até mesmo pelo lado de marketing pessoal em que investiu o ex-governador Casildo Maldaner. Casildo chegou até mesmo a publicar o “Casildário” com suas pérolas. O que não aparecia tanto é o foco no trabalho e nos resultados que esta escola política tem.

Há muito tempo a escola Maldaner de política investe no que hoje é considerado o mais moderno estilo de praticar a atividade: trabalho e resultados, ao invés de picuinhas pessoais e políticas. O deputado Celso Maldaner deixa isso claro inclusive no tratamento dado a Caçador. Mesmo tendo feito apenas 275 votos na última eleição, tem realizado trabalho incansável e constante pelo município.

No pleito do próximo ano, Caçador certamente saberá reconhecer o trabalho de Maldaner.

Caçadorense

Mesmo atravessando melhor momento da carreira, sendo terceiro homem mais importante do estado, chamado constantemente de primeiro ministro pelo governador Luiz Henrique (PMDB), Secretário Cobalchini se comporta como cidadão comum. Todo final de semana é visto fazendo compras em supermercados, visto levando o filho para a escola e participando de eventos locais. Domingo encontrei o Secretário com a esposa, o filho e a sogra em almoço no Bairro dos Municípios. Como um típico caçadorense. Exemplo de humildade.

Escolas recebem 2.000 livros de doação.

O Capítulo da Ordem Demolay de Caçador em parceria com o colégio de Aplicação -UnC arrecadaram quase 2.000 livros infantis, infanto juvenis e revistas educativas que foram distribuídas nas escolas EMEB Nossa Senhora Salete e EMEB Alcides Tombini. Cerca de 1.834 livros foram arrecadados pelos alunos do Colégio de Aplicação de Caçador na já tradicional Gincana Estudantil. A campanha do Livro foi realizada em conjunto com o Capítulo Caçador Nº 185 da Ordem DeMolay. Foram arrecadados livros de literatura infanto-juvenil , literatura adulta e livros técnicos em bom estado de conservação que agora serão doados para bibliotecas das escolas Municipais.

Caçador amadurece politicamente

Nossa terra tem uma história rica. Que é marcada logo em seu início por um sangrento conflito, de proporções gigantes para um povoado que recém iniciava sua colonização. Talvez devido a isso, talvez a influência do quente sangue italiano, majoritário na formação da elite caçadorense, o conflito sempre foi um elemento predominante na política local.

De qualquer modo, o pai da ciência política, o italiano Nicolai Machiavel já advertia que a política era uma atividade em que o conflito era dado da normalidade. Algo com o qual quem se atrevesse a entrar neste terreno deveria estar bastante habituado. Problema em Caçador, durante um bom tempo, foi à configuração que o conflito tomou.

Convenhamos que se o que objetivamos é a construção de um município melhor para todos, o conflito ideal que se esperaria era em torno de quem faz mais e melhor por este município. Entretanto, o que ocorria por estas plagas Contestadas era algo muito diferente.

Configurou-se um conflito de ordem pessoal e partidária em que o importante era desqualificar o adversário a qualquer custo. Tivemos campanhas que certamente os políticos locais ainda remanescentes daquelas disputas envergonham-se profundamente. Ataques pessoais, calúnias, injúrias e difamações, foram usadas a rodo.

Porém, a partir de 1998, vemos uma virada lenta, gradual e segura, como diria o Presidente Geisel, no modo de fazer política caçadorense. E a entrada em cena de dois personagens foi fundamental para isso. De um lado, Valdir Cobalchini, que desde o pleito estadual de 98 passa a emergir como principal liderança de seu partido. De outro, Saulo Sperotto (PSDB), que irá surgir a partir de 2002 como a principal liderança do bloco de oposição ao PMDB.

O marco da mudança se dá na eleição de 2000, quando os velhos rivais, PMDB, PP e PFL, acabam por montar uma chapa conjunta. Não coincidentemente, naquela eleição Cobalchini era o chefe de gabinete do então prefeito Onélio Menta (PMDB).

A inauguração do Parque Central deixou claro o amadurecimento de nossa política. Cobalchini (PMDB) foi elogiado até mesmo pelo deputado Reno Caramori (PP) em seu pronunciamento, pela participação do Governo do Estado na obra. Isso demonstra que mais do que uma competição baseada em rixas pessoais e partidárias, a política caçadorense passa agora por uma competição em torno de quem faz mais pelo nosso município.

Que permaneça assim. Caçador só tem a ganhar com este amadurecimento de nossas lideranças.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

FLASH FOWARD: CENÁRIOS ELEITORAIS, PÓS-ELEITORAIS!

Do Ex-Blog do Cesar Maia

Trechos da coluna de Cesar Maia na Folha de SP (21).

1. Promessas são rotinas das campanhas eleitorais. Há uma questão mais complexa: a projeção dos cenários nos quais o novo governo atuará. FHC afirma que a política econômica atual é igual a sua. Elimina a gestão econômica como diferenciadora. FHC afirma que os programas de inclusão social do governo Lula são continuidade dos seus e que os indicadores sociais são projeções das curvas anteriores. Portanto, o social será percebido, também, como de continuidade. Com isso, outras questões entram na diferenciação das candidaturas.

2. Uma delas é clássica em eleições: o novo x o velho. O ponto central é a imagem transmitida pelos candidatos e como personalizam essa disjuntiva. A oposição pode ser afetada pelo passado. O governo reforçará a ideia de um futuro igual ao presente ou de nenhum novo futuro. O novo fica disponível. A Federação é outro elemento presente nesses 120 anos de República. Vem desde a Assembleia Constituinte de 1823. Atravessou o Império. Traumatizou a sucessão de Rodrigues Alves em 1906. Inaugurou a política do café (SP) com leite (MG). Em 1918, Alves, outra vez eleito, morre antes de assumir. Assume seu vice, o mineiro Delfim Moreira. A insistência de Washington Luís com Júlio Prestes, governador de São Paulo, levou à Revolução de 30.

3. Na reeleição de Lula, o imaginário popular o transferiu de São Paulo, onde vivia havia 50 anos, para o Nordeste, e a continuidade regional ficou com o adversário. Em 2010, Lula terá uma candidata com domicílio neutro: Brasília. Não se tem foto de fim de semana com a família em Minas ou no Rio Grande do Sul. Essa imagem de candidata sem origem e sem família, além de mãe do PAC, seria fatal nos EUA. Por aqui não se sabe ainda.

4. Finalmente, há que se projetar o ambiente político-social para o próximo governo. A nível político-parlamentar, não haverá novidade. A base aliada de hoje é a mesma de ontem e será a mesma de amanhã. Mas o ambiente político-social tende à complexidade. Os sindicatos, associações e ONGs políticas vivem incrustados no Estado. Fora do poder, tenderão à radicalização. A paz social "contratada" pelo governo atual poderia ser desestabilizada. A menos que a gestão política demonstre que seus espaços serão mantidos, mas de outra forma. Estes três elementos no ambiente futuro -novo/velho, a Federação e a estabilidade social- devem marcar o imaginário do eleitor em 2010.

domingo, 22 de novembro de 2009

Um filósofo intestinal

Na tarde de ontem tive um produtivo debate via Twitter. Aliás, ando deslumbrado com esta nova e fantástica rede social. Até então, quem sabe apenas o MIRC tivesse constituído uma rede social com tamanha riqueza de debates, troca de idéias e conteúdo. Mas voltemos ao “debate”, se é que podemos chamar a discussão entre este blogueiro e o professor Paulo Ghiraldelli Jr. de debate.

Fiquei conhecendo o professor Ghiraldelli esta semana. Soube dele por uma jovem twiteira, de quem tenho posições políticas e ideológicas radicalmente distintas. A jovem em questão, formada no que de “melhor” (sic) o esquerdismo internacional produziu nos últimos 100 anos, tem um blog. No tal blog ela defende posições que para mim são de um absurdo ímpar contra o Estado de Israel, posições estas que facilmente descambam para o anti-semitismo.

Entretanto, como falei, é apenas uma jovem formada no que de “melhor” (sic) o esquerdismo internacional produziu. Pelo pouco que pude conversar com ela, não leu, viu ou ouviu nada além do consenso nacional dos bem-pensantes, consenso este formado num trabalho de construção paciente da hegemonia gramsciana nos últimos 50 anos nestas Terras de Vera Cruz.

Quando debato com a tal jovem, procuro respondê-la pacientemente, argumento por argumento, no sentido de mostrar a ela que além das asnices da esquerda internacional, dos documentários da besta do Michael Moore, do que os professores esquerdistas de história papagueiam no ouvido de crianças indefesas desde a mais tenra idade, existem outras versões, outros pensamentos, outras idéias. Pode ser que tal comportamento da minha parte não resulte em absolutamente nada e ao fim e ao cabo ela continue pensando as mesmíssimas coisas que pensa agora. Entretanto, se eu me considero em uma situação de melhor informação, melhor formação e mais experiência do que alguém, automaticamente tenho de me colocar em uma posição de maior responsabilidade. Devo buscar através de argumentos clarear a discussão. Não posso me dar o direito de me comportar como uma criança birrenta, tentando vencer o debate a todo custo, mesmo que apelando para a baixaria, para os xingamentos, para a agressão pura e simples.

Tenho certeza que não sou o único a pensar assim. Mesmo no Brasil deformado por este trabalho de hegemonização gramsciana, ainda resta muita gente boa que ainda consegue manter uma saudável mentalidade democrática. Entretanto, ao conhecer o tal professor Ghiraldelli ficou evidente que ele não se enquadra neste grupo.

Quando a dita menina se referiu a tal figura, seu estado emocional estava bastante abalado. Como toda e qualquer jovem formada no esquerdismo, ela também tinha criado seus ídolos, seus modelos, suas referências. E o tal professor estava entre elas. Tendo solicitado a ele que desse uma olhada em seu blog, foi respondida após a olhada com uma enxurrada de impropérios sobre sua posição em relação ao Estado de Israel. Ao invés de clarear, obscureceu. Ao invés de explicar com argumentos para uma jovem formada por gente como ele o porquê ela não deveria ser contra a existência do Estado de Israel, preferiu logo rotulá-la como anti-semita. Sem dúvida caso para estudo de pedagogos relativamente a métodos educacionais.

Mas sou de uma formação política e intelectual que transitou com bastante desenvoltura por diversas posições radicais e por que não, também por diversos radicalismos. Preferi entender que o professor apenas exagerou na forma. Que talvez o conteúdo pudesse se salvar. Pessoas inteligentes tendem a achar que as pessoas com quem debatem ou procuram contato intelectual são tão ou mais inteligentes do que elas. Já pessoas burras, pensam que os outros são mais burros ainda e que podem fazê-los de idiota com a mesma facilidade com que são feitos.

Pois bem, fui tentar manter um debate com o tal professor Ghiraldelli via twitter, para ver, como dizem os jovens, qual era a dele. E vi que a dele é o que existe de mais atrasado, mais reacionário e mais anti-intelectual possível. Vi que a dele não aceita divergências. Vi que a dele é anti-democrática. Vi que a dele é aquela formada na pocilga que se transformaram as ciências humanas nas universidades brasileiras. A dele é daquele tipo que forma o tipo de fascistóides vistos em ação na UNIBAN. A dele é do tipo que aciona a boca (ou os dedos para teclar, no caso da web) antes de acionar o cérebro. Em suma, um cérebro com formatação muito próxima da formação intestinal dos mosquitos.

Quando começou o debate, interpelei-o no sentido de que suas posições estavam muito próximas da máxima leninistas do: “Acuse-os daquilo que você é. Diga que fazem aquilo que você faz”. E esse comportamento fica claro quando ele usa uma argumentação rastaqüera para tentar igualar os desvios éticos do governo FHC (que ocorreram, é fato) com a máquina de corrupção e cooptação de todo o aparelho de Estado montada pelo PT. Ele me respondeu com a corte que deve tentar fazer sempre a tucanos ingênuos, dizendo que era totalmente anti-estalinista e simpático a FHC.

Pouco se me dá na telha se alguém é simpático ou não vai com a cara de FHC. Conheço o ex-presidente de tê-lo entrevistado uma vez e muito rapidamente, além de ter assistido a uma palestra sua. Acho que seu governo teve o enorme mérito de ter acabado com a hiper-inflação e estabilizado economicamente o país. E teve um monte de deméritos, em especial ao criar a máquina de financiamento do onguismo esquerdóide, garantindo a pujança de um movimento terrorista como o MST e dar início ao aparelhamento dos Fundos de Pensão, que foi resultar no monstro de um Estado quase Total como o que vemos hoje no governo petista.

Contra-argumentei, dizendo que se por um lado ele poderia não ser estalinista, ficava evidente sua filiação esquerdista e como tal, herdeiro do estalinismo. Não caio na esparrela esquerdista sobre não ter nada a ver com o “socialismo real”, ou com o “estalinismo”, simplesmente porque seja qual for sua variante, aonde eles assumem o poder os métodos e os resultados têm sido invariavelmente os mesmos. Disse que no máximo ele era um gramsciano, o que traduzido da esotérica gramática esquerdista significa tão somente um estalinista alfabetizado.

Aí acabou o debate. Na falta de argumentos do professor, os meus argumentos se mostraram exatos até o último pingo nos is. Vou reproduzir os tweets “argumentativos” do “filósofo paulistano” (é assim que o professor Ghiraldelli se auto-intitula) para mostrar com que nível de gente eu fui discutir.

@edubisotto gramsciano? ha ha ha! Você é "cabeça cheia" Nem adianta falar nada. Mas, a gente sempre tenta: http://ow.ly/EGf5

Parece que vocês duas estão juntinhas, são homossexuais ? @RFKA: RT @edubisotto Ok, so um defensor de homossexuais, mas não fascistas

Vamos dar um block neste burrinho aqui: @edubisotto

E vamos dar um block nessa mulinha aqui : @RFKA

@RFKA você é da OAB, nossa a entidade está abrigando fascistas!

@edubisotto putz, um gaúcho que abocanha o quibe! eu sabia!

@daviaraujo você é um homossexual de direita também? Quer um block?

@daviaraujo bom, se é um gaúcho que está magoadinho, vai ganhar um block, pois gaúcho burro é raro, mas tem.

@daviaraujo então adeus idiota!

Caro idiota @daviaraujo , adeus! vai block para não falar mais asneiras aqui!

@daviaraujo nossa, que cara feia, um gay não pode ser feio assim! Não arruma nada assim!

Só pra esclarecer, o @RFKA discutia com o “professor” sobre o governo FHC e o governo Lula. Essa foi a resposta em altíssimo nível que recebeu. Quando deu RT (retweet, ou replicar um tweet escrito por outro usuário, em twitês) em uma mensagem minha, o professor perdeu completamente a noção do ridículo e foi logo pra linguagem de pocilga com a qual deve estar acostumado. Já o @daviaraujo era um seguidor do professor que tão somente não gostou das agressões imbecis a gaúchos e homossexuais. Interpelou o professor e teve estas respostas.

Dá pra acreditar que um sujeito com este nível se auto-intitule “O Filósofo da Cidade de São Paulo”? Dá pra acreditar que um sujeito com este nível esteja lecionando em Universidades e formando jovens? Só mesmo vendo o que acontece pelas UNIBAN’s da vida dá pra acreditar. Jovens transformados em monstros fascistóides têm de ter em sua retaguarda intelectual e moral professores que incentivem este tipo de comportamento. Nada surge do nada, se me permitem o pleonasmo.

Sujeitos como o “professor” (sic) e “filósofo da cidade de São Paulo”, que acreditam encontrar no homossexualismo um xingamento pronto a devastar a dignidade dos adversários ideológicos, são os mesmos que dão plantão em tudo quanto é foro de defesa de minorias. Afinal, sabemos que a defesa das minorias, dos fracos e oprimidos é monopólio da esquerda. Fora disso, só pode ser fascismo. Que nojo!

É de gente deste nível que surgem regimes totalitários. É graças ao tipo de suporte intelectual deste tipo de “ser humano”, se é que podem ser classificados assim hominídeos desta estirpe, que surgem Stálin’s, Hitler’s, Pol Pot’s, Fidel’s e tuti quanti.

É gente que não acredita na política como instância para dirimir conflitos. É gente que está firmemente convicta que a política é apenas um teatro, com o único fito de eliminar os “inimigos”. Se não se pode fazê-lo fisicamente, ao menos por enquanto, que se tente moralmente.

Por último, só para esclarecer a quem não está acostumado com a linguagem do Twitter, #BLOCK é quando tornamos impossível a um usuário nos “seguir” e também paramos de segui-lo por completo. É óbvio que por trás da linguagem bossal, do comportamento de machão de bodega na favela, está o medo de ser desmoralizado diante de seus “discípulos”, diante de seus “seguidores”, não no sentido que a palavra tem no Twitter, mas no sentido empregado em movimentos de fanáticos religiosos. Esse é o tipo de mentalidade e o tipo de psique que propicia Pogroms, Campos de Concentração, Genocídios, Soluções Finais e tantos outros horrores que temos visto, em especial a partir da imersão da mentalidade revolucionária, convertida em movimento de massa a partir da Revolução Francesa. Hannah Arendt escreveu muito sobre este tipo de personalidade. É de dar medo que tenham atingido tamanho grau de influência nestas Terras de Vera Cruz.

O “professor” (sic) Ghiraldelli não é a doença. É apenas um sintoma dela. Mas um sintoma cada vez mais comum de se encontrar em nosso pobre país. Sua figura deprimente não mereceria mais do que duas linhas. Mas o que ela representa em termos de zeitgeist, em termos de espírito dos tempos, essa sim, merece uma análise mais detida.

Chego a ficar com vergonha de lhe dedicar tantas palavras. Mas a luta política e ideológica dos tempos atuais em Terras Brasilis vai muito além de uma luta por espaço e poder. É uma luta por liberdade. É uma luta pela civilização. É uma luta para que meus filhos, netos e quiçá bisnetos não tenham que conviver com o clima de pocilga intelectual que se instalou por aqui e que minha geração miseravelmente tem de agüentar diariamente.

Lutemos todos, aqueles que acreditam na democracia e na liberdade, na política como instância civilizada da resolução de conflitos e no diálogo como elemento de dissolução da dúvida. Sejamos abertos a dúvida e a incerteza, sejamos tolerantes.

Apenas não toleremos a barbárie como um dado normal do nosso dia-a-dia. Apenas não toleremos um clima de permanente terror como parte da luta política normal. Ou então, me apropriando e parafraseando o pastor Martin Niemöller, um dia não sobraram judeus, católicos ou comunistas para buscarem. Terá chegado então a nossa vez. Não toleremos a intolerância. Não aceitemos a Revolução dos Porcos. A civilização no Brasil não merece isso.

Lutemos! Um amanhã melhor certamente irá surgir. Afinal, já dizia o grande Mário Quintana, baluarte da civilização brasileira:

“Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!”.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Aonde Caçador nasceu, Caçador renasce

Há 128 anos, estas terras habitadas até então apenas por índios Kaingang e Xokleng, recebiam as primeiras famílias colonizadoras européias. Terra com muita caça, logo foram batizadas como Rio Caçador. Funcionando como sal da terra, os pioneiros ainda não podiam imaginar a pujança, o desenvolvimento, a riqueza e a importância que o pequenino povoado de Rio Caçador iria adquirir tão pouco tempo depois.

Quem sabe o sangue do Contestado, quem sabe a decisão de quem tinha deixado um Oceano atrás de si, trocando de continente para tentar uma sorte melhor, quem sabe um misto destes fatores, junto com a força de vontade de todos os caçadorenses, tenham sido os responsáveis por termos chegado de maneira tão brilhante e bem sucedida à linda Caçador que temos hoje.

Nesta belíssima história que construímos ao longo destes 128 anos, um lugar em especial teve um papel muito, mas muito relevante. Este lugar é onde hoje se localizam a Rodoviária Municipal, o Museu do Contestado e o Parque Central. Ali foi o acampamento central das tropas que combatiam pelo Governo durante a campanha do Contestado. Dali, pela primeira vez na história da humanidade, um avião, comandado pelo Tenente Aviador Ricardo Kirk levantava vôo com fins bélicos. Por ali passava a Ferrovia e ficava a Estação Ferroviária, tão aguardada e fundamental para que o desenvolvimento pudesse aportar nestas terras. Ali Caçador nasceu.

Com a decadência do transporte ferroviário a partir de meados do século passado, quando Juscelino Kubitschek mudou a matriz dos transportes para as rodovias, esta região ficou praticamente abandonada. Madeireiras se mudaram dali e um ponto desértico no centro da cidade surgiu. Como uma chaga no local de nascimento.

Com a inauguração hoje do Parque Central, um renascimento se processa no coração de Caçador. Aonde nascemos, vamos renascer, com a mais bela obra pública da história de nosso município.

Parabéns ao prefeito Saulo Sperotto (PSDB), que teve a ousadia de sonhar com uma obra tão bonita. Parabéns a arquiteta Karina Pompermayer (PSDB), responsável pelo projeto. Parabéns a todos aqueles que de uma forma ou de outra, contribuíram para sua realização.

Sem esquecer é claro, que mais do que qualquer pessoa, é Caçador quem ganha um belíssimo presente. Parabéns para todos nós!

José Rossi Adami: Uma homenagem merecida

O Parque Central, principal obra da administração Saulo Sperotto (PSDB) e Lucir Cristh (PP), será inaugurado amanhã e receberá o nome de José Rossi Adami. Uma homenagem mais do que merecida para um dos baluartes do desenvolvimento de nossa região. Há mais de 50 anos, quando ninguém vislumbrava uma alternativa melhor do que o extrativismo para a cultura da madeira, José Rossi Adami vislumbrou a alternativa dos reflorestamentos.

Um visionário e um pai de família exemplar, que não deixou de legado somente uma grande empresa, mas também, sucessores a altura do desafio de continuarem fazendo ela funcionar e crescer sempre. Tarefa das mais difíceis, levando em consideração a velha máxima da administração de empresas familiar que diz que “a primeira geração constrói, a segunda mantém e a terceira destrói”. O Adami ao contrário já se encontra na terceira geração em sua administração e sempre em crescimento.

Não é só o visionário e pai de família que deve ser destacado em José Rossi Adami, mas também, o homem preocupado com sua comunidade, que trazia o sentido da palavra caridade dentro de si. Pioneiro no auxílio a funcionários, destacava-se ainda pelo envolvimento na melhoria das condições de vida de toda a população caçadorense.

Pode-se conversar com os mais radicais dentre os opositores da classe empresarial e a opinião é sempre a mesma: o Adami, desde José Rossi, sempre se destacou por ajudar aos mais pobres, tratar bem seus funcionários e contribuir com projetos sociais em Caçador.

Por tudo isso, a homenagem que a família receberá por José Rossi, no que certamente se tornará a principal obra pública pelo menos pelos próximos 20 ou 30 anos em Caçador, é mais do que merecida.

Coroa a trajetória iniciada pelo pioneiro José Rossi Adami e consumada por essa família que tão bem traduz o melhor que nosso município pode formar e oferecer.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O fim do Ancien Regime

Essa é a impressão que eu tenho sobre a simbologia das eleições presidenciais de 2010. Finalmente, após 35 anos de longa, gradual, segura e exaustiva transição democrática. Transição que teve início com a eleição do general Ernesto Geisel pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1974 e parece que só vai chegar ao fim agora.

Senão vejamos. Geisel deu início à transição ao decretar o fim do anacrônico e ditatorial Ato Institucional número 5. Seu sucessor, general Figueiredo deu continuidade ao processo ao instalar o pluripartidarismo e evitar que a linha dura do regime desse um golpe dentro do golpe, se eternizando no poder. Passou o cargo, mesmo a contragosto, para o desafeto José Sarney (PMDB), ex-presidente da ARENA-PDS, recém convertido a vice na chapa de Tancredo Neves (PMDB). Esta seria a segunda frustração do campo democrático, recém derrotado na luta pelas diretas. Elege-se um presidente democrata, com história e lastro (Tancredo) e quem assume o poder é o ex-presidente do partido da ditadura (Sarney).

Em 1989, a eleição direta que o povo pedia a gritos cinco antes e que deveria ser a culminância do retorno a normalidade democrática, transforma-se em reação desesperada a um governo caótico, patético, corrupto e ineficiente. E do primeiro para o segundo turno emergem dois outsiders: pela direita, Fernando Collor de Melo e pela esquerda, Luís Inácio Lula da Silva. Qualquer um dos dois, eleito, certamente teria gerado crise institucional. O Brasil deu sorte e acabou elegendo o mal menor, afinal, Collor pelo menos tinha algum apoio no establishment. Mesmo assim, ao invés de fazer um governo de conciliação usando tal apoio, preferiu continuar agindo como outsider. Deu no que deu.

Em 1994 o Brasil finalmente conseguia debelar o monstro da inflação, sob a batuta política de Fernando Henrique Cardoso no ministério da Fazenda. Em troca, ele ganhou a Presidência da República. Seu primeiro grande erro no governo certamente foi rasgar a bandeira do parlamentarismo, que orgulhosamente seu PSDB carregava desde a fundação em 1988. Um partido que reunia o melhor da intelectualidade paulista, aliados a políticos tarimbados como Covas e Montoro, já tinha nascido moderno e maduro. Mas provavelmente deslumbrados com a chegada ao poder central ainda tão jovens (o PSDB, ao ganhar a presidência com FHC tinha tão somente seis anos de vida), rasgaram de imediato a principal bandeira de seu partido até então.

FHC foi além nos equívocos políticos ao forçar a mão para garantir a reeleição em 1997 através de emenda constitucional. Até poderia ter passado tal medida, mas para o governante seguinte. Teria feito sucessor com a maior facilidade diante do sucesso do Real e de quatro anos de estabilidade econômica, coisa que já fazia umas boas décadas que o brasileiro não via mais. Mas o poder deslumbra e é traiçoeiro. Pena que não tenha sido diferente nem com aquele que um dia foi considerado “O Príncipe” dos sociólogos.

Seu segundo mandato já começou mal, sob o signo da maxidesvalorização da moeda, que atingiu em cheio uma classe média que já se acostumava com compras em Miami e férias internacionais. Foi terminar ainda pior com o apagão e o destrambelhamento político que tomou conta do governo após as mortes de Sergio Motta (PSDB) e Luís Eduardo Magalhães (PFL). Foi tão ridícula a conclusão do governo FHC, que até a candidatura apoiada pelo presidente para sua sucessão, a do então ministro da Saúde José Serra (PSDB), foi peitada dentro do partido pelo ministro da Educação, Paulo Renato de Souza. Com os aliados, mais desastres. O uso da Polícia Federal para a implosão da candidatura Roseana Sarney (PFL), que já ultrapassava Luís Inácio da Silva (PT) nas pesquisas de intenção de voto, deixou claro que uma era de poder político terminava.

Paradoxalmente, se uma era de mando político chegava ao fim, com o consórcio PFL/PSDB chegando à eleição aos cacos, a transição política dava seu último passo numa longa jornada. Não podemos esquecer que todos os presidentes do dito período da redemocratização, pós 85, tiveram sua origem precisamente no regime militar. Tancredo teria sido uma exceção, já que era oriundo da República de 46. Como não tomou posse, só tivemos políticos forjados no período do regime militar ocupando a Presidência da República.

Sarney era ex-presidente da ARENA-PDS. Collor era ex-prefeito biônico de Maceió, nomeado pelos esquemas políticos dos militares, mesmo que externamente parecesse e agisse como um outsider. FHC foi exilado, retornou ao Brasil, construiu carreira no MDB/PMDB, fundou o PSDB, dissidência à esquerda e high society do PMDB e chegou à presidência. E por fim, quem conhece um pouquinho do que acontecia em São Paulo durante as greves do ABC, sabe que Lula era o típico negociador, sempre a volta com Black Labels e empresários negociando, além de contar com a nada discreta simpatia do cérebro do regime militar, general Golbery do Couto e Silva, que via na sua figura uma forma de deter a ascensão de Brizola.

Lula se imaginou inaugurando um ciclo com sua chegada a Presidência. Estava errado. Sua chegada a Presidência marcou o fim de um ciclo, o ciclo da redemocratização.

Por isso mesmo, a eleição de 2010 apontará para o futuro. Precisamos de um presidente que supere o modus politicus herdado do regime militar, que supere a centralização política e econômica em São Paulo, que aponte para uma recostura da federação esgarçada por tantos anos de polarização entre PT/PSDB ao mesmo tempo em que tudo era direcionado para São Paulo.

Em seu segundo mandato Lula pareceu dar sinais de ter entendido esta dinâmica e tentando apontar um novo caminho. Costurou um ministério menos paulista, mais nacional. Mas sua origem e a permanente polarização surgida da disputa paulista o impediram de dar mais passos na direção necessária para a construção de um país mais próspero e pujante.

A candidatura que precisamos tem nome e está localizada em Minas Gerais. Sou contra os que apontam que Aécio Neves (PSDB) tem de ser presidente porque é mineiro. Sou contra, porque temos de tirar do poder a cultura de centralizar a União em um estado. Aécio tem de ser presidente porque ele é um político de dimensão nacional, de compreensão nacional e com uma escola política nacional. Que tem a dimensão do que é o Brasil como um todo, não voltada apenas para a Avenida Paulista.

Por mais que para alguns analistas a questão regional seja secundarizada e até mesmo ridicularizada, ela sempre terá um peso enorme em federações gigantescas como o Brasil. Com o Senado, que deveria estar realizando o papel do equilíbrio federativo totalmente em frangalhos e sujeitado a um Executivo Imperial, precisamos de um presidente que reequilibre o jogo.

Já são 16 anos de estabilidade econômica e desenvolvimento. É uma conquista que o Brasil deve muito ao PSDB paulista, a FHC e a sua equipe econômica. O desenvolvimento, devemos em grande parte a uma postura menos rígida na condução da política de juros e monetária e a ousadia nas políticas sociais do governo do PT paulista, de Lula e sua equipe. Agora é preciso avançar.

O Brasil precisa de um governo de todos os estados, de todas as regiões, de todas as gentes.

O Brasil precisa de Aécio Neves na Presidência da República. Dilma é o passado. Serra é o passado. Aécio Neves é o presente e é o futuro.

Como diria Elis Regina, o novo sempre vem.

Então, seja bem vindo Presidente Aécio. Em 2010, o Brasil o aguarda de braços abertos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Idéias para o esporte

Ontem tratei neste espaço da falência do modelo que vem sendo adotado na gestão esportiva em Caçador nas últimas três décadas. Os resultados que Caçador vem obtendo nos JASC não me deixam mentir: tal modelo está completamente ultrapassado. Levando em consideração que o Brasil sediará a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016, fica clara a importância que as atividades esportivas terão no país até meados da próxima década.

Diante disso resolvi estudar o tema e trazer algumas sugestões para o debate.

Sugestão número 01: Mudança do foco dos esportes coletivos para esportes individuais. Não adianta nada gastarmos pequenas fortunas na contratação e manutenção de equipes de futebol, futsal, basquete, handebol ou vôlei se o máximo que elas podem trazer para o município é uma medalha e um troféu. Pior. O aproveitamento de “pratas da casa” em tais equipes é mínimo. Se os recursos são do município, por que gastá-los com atletas de fora e com baixa taxa de retorno?

Sugestão número 02: Criação de Centros de Referência em modalidades chave. Por exemplo, no atletismo. O atletismo traz uma infinidade de medalhas no JASC. Por que então não investir na contratação de técnicos de ponta para a formação de novos atletas caçadorenses? E tais técnicos podem ainda ser atletas de ponta, como Blumenau fez recentemente com a contratação de maratonistas e corredores renomados. Além da formação, eles competem para o município e trazem resultados. O mesmo poderia ser feito com o judô, com o xadrez, com o tênis de mesa, dentre uma infinidade de outros esportes individuais. É mais barato e traz muito mais resultado.

Sugestão número 03: Mudança no foco da Fundação Municipal de Esportes, que passaria a ser uma gestora de parcerias e não mais a gestora central dos esportes no município. Essa mudança até foi tentada pela atual administração ao terceirizar a contratação para a Associação Municipal de Esportes, gerida por professores e técnicos. Entretanto, não deu certo por um motivo simples: professores e técnicos não são gestores. Essa mudança de foco da Fundação faria com que ela pudesse atuar ainda como entidade-meio para a busca de parcerias com a iniciativa privada.

Essas sugestões são apenas um pontapé inicial para o debate, que deve ser feito por todos que se preocupam com o futuro do esporte caçadorense. Certamente nosso município só tem a ganhar com tal discussão.

Parque Central

Pra quem está acostumado a só criticar tudo que acontece e é feito em Caçador, linquei aí do lado o blog Máquina de Letras, de um morador da bela cidade de Mafra. Primeiro post do blog é sobre o nosso Parque Central. Quando vejo esse tipo de comentário de gente que não é daqui, aumenta ainda mais meu orgulho de ser caçadorense.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Esporte: o erro no modelo

No final da tarde de ontem entrei no site dos JASC 2009 e fui conferir a classificação de Caçador. Estávamos em 22º lugar, com apenas três pontos. Não tínhamos ganho um único troféu. E a única medalha ganha até então era do Judô Feminino, com a atleta Cândida Garcia. Um desempenho desses, caso consigamos trazer os JASC para cá, será um verdadeiro fiasco.

O motivo de tão pífios resultados está no histórico modelo de gestão do esporte caçadorense. Histórico e ultrapassado. Não é um erro que tenha começado na atual gestão. Vem se repetindo nas últimas três décadas. E é um erro bastante simples. Focar em esportes coletivos.

Já contratamos equipes de basquete, de vôlei, de handebol e nos últimos anos gastamos pequenas fortunas com equipes de futsal, masculino e feminino. Esportes coletivos, por mais que possam parecer mais empolgantes, trazem apenas uma medalha e um troféu, quando trazem, cada um. Como são sempre caros e Caçador é um município pequeno, se comparado a potências esportivas como Blumenau, Joinville e Florianópolis, acabam sugando todos os recursos que temos para esportes.

Pegue-se o exemplo de Itajaí. Mesmo tendo praticamente o mesmo tamanho de Caçador, consegue estar sempre no Top 10 do JASC, não raro no Top 5. E como consegue isso? Simples. Investindo em esportes individuais e de baixo custo. Judô, atletismo, xadrez, tênis de mesa, uma infinidade de esportes de investimento relativamente baixo e que trazem resultados expressivos no quadro geral de medalhas e troféus.

O Judô, que foi mencionado no início desta coluna, é praticamente o único esporte que JASC após JASC sempre traz medalhas para Caçador. Entretanto, pergunte-se na FME qual o investimento na modalidade e se verá que é baixíssimo. E isso não é privilégio do Judô. Em 1993 Caçador perdeu um campeão estadual de xadrez, o professor Marco Aurélio Cordeiro, para Lages. Hoje Lages é referência nacional na modalidade.

Ou revemos nosso modelo, reunindo toda a comunidade esportiva caçadorense e buscando referências vitoriosas nos municípios que sempre lideram os JASC, ou continuaremos na rabeira.

E um município como Caçador não merece continuar disputando os últimos lugares da principal competição esportiva de Santa Catarina.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Notícias das formigas

No próximo dia 13 de dezembro a nascente Universidade do Alto Vale do Rio do Peixe (UNIARP), realiza orgulhosa o primeiro vestibular da sua certamente longa e vitoriosa história. Após tanta polêmica, os membros da Assembléia Geral que se posicionaram contra a unificação de Caçador com os demais campi da UNC mostram que suas posturas são sempre ancoradas em trabalho sério.

Tomada a decisão de unificar, um verdadeiro exército de formigas trabalhadoras passou a operar nos bastidores para dar vida à nova Universidade. Elias e Gilberto Seleme, Rui Caramori, Moacir Salamoni, Augusto Frâncio, Leonir Tesser e Luís Eugênio Beltrami, além de tantos servidores e colaboradores anônimos, se jogaram de cabeça na tarefa de conseguir a licença necessária do Conselho Estadual de Educação e solucionar todos os problemas pendentes para o funcionamento da nova universidade.

Mesmo contando com radical oposição da Reitoria da UNC, que se recusou o tempo todo a colaborar. Com uma proposta de conciliação da parte da direção da UNIARP, que sugeriu que ambas universidades entrassem juntas com processo de reconhecimento no Conselho Estadual de Educação, a intransigência da UNC, revoltada com a não participação de Caçador no processo de unificação, levou a Reitoria a negar documentos em seu poder que eram de direito da nossa universidade. Deu no que deu. A UNIARP, que nasceu sob um verdadeiro bombardeio, com previsões catastróficas sobre seu futuro, já está reconhecida. Já a UNC, segundo as últimas informações que obtive junto ao Conselho Estadual de Educação, sequer com o processo de reconhecimento tinha entrado. Lamentável.

Como destaquei em artigo recente neste espaço, o trabalho das formigas se mostrou muito mais consistente que o cacarejar das galinhas de mau agouro.

Caçador tem de se orgulhar e muito de suas formigas. É o trabalho sério e dedicado delas que ao longo dos anos construiu esta cidade. E eu me orgulho de simplesmente poder noticiá-lo. É o máximo que este humilde escriba pode fazer por aqueles que mesmo debaixo de críticas e impropérios, fazem Caçador a cada dia maior e mais pujante.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

JASC 2012 será nosso

Não foi desta vez. Por 13 votos a 06, Criciúma derrotou Caçador na disputa pela sede dos Jogos Abertos de Santa Catarina para 2011. Balneário Camboriú, que também disputava a indicação, não fez nenhum voto. Vale recordar que em 2005, quando disputamos pela primeira vez, conseguimos apenas 02 votos. Ou seja, triplicamos nossa votação. Não é pouca coisa em um colégio eleitoral de apenas 21 votantes. De lambuja conseguimos garantir os Joguinhos Abertos de Santa Catarina edição 2011.

Vale recordar como o Rio de Janeiro conquistou a sede para as Olimpíadas de 2016. Tudo começou em 1993, quando Roberto Marinho e João Havelange lançaram a estratégia para a conquista. Apresentar sucessivas vezes a candidatura até que ela fosse vitoriosa. A primeira tentativa foi para os Jogos Olímpicos de 2004. Acabou desclassificado na primeira fase. Em 2002, com a conquista da sede do PAN 2007, o Rio voltou a apresentar candidatura, desta vez para sede de 2012. Em 2004 nova decepção: foi eliminado nas preliminares. Com a realização do PAN em 2007 e a prova de que poderia realizar bem a Olimpíada, finalmente o Rio de Janeiro conquistou a sede para os jogos de 2016.

Estamos em um processo de construção muito semelhante para os JASC. Este ano realizamos o ParaJasc em julho e a regional dos JASC mês passado. Em 2011 realizaremos os joguinhos. E certamente em 2012 o JASC será nosso.

Outra análise que tem de ser feita é a do fator político na escolha. Criciúma operou muito bem nos bastidores ao transferir a data da votação do dia 07 de dezembro para ontem.

Justamente quando sabiam que o prefeito Saulo Sperotto (PSDB) estaria em missão na Itália. Estivesse em Santa Catarina e Sperotto certamente teria jogado todo o peso que dispõe em seu partido até mesmo para que Criciúma retirasse a candidatura. É sabido nos meios políticos o apreço e carinho que o vice-governador e presidente estadual do PSDB Leonel Pavan nutre pelo prefeito caçadorense.

Enfim, uma somatória de fatores impediu a nossa vitória. Entretanto, perdemos com a cabeça mais do que levantada, mostramos excepcional organização, contamos com uma delegação fortíssima, com os Secretários de Administração Nereu Baú (PSDB), Munir Bittar (PSDB), o Assessor de Imprensa Jean Carlo Ribeiro (PSDB), o presidente da FME Beto Ferraz (PPS) e o deputado estadual Reno Caramori (PP) além de realizamos uma belíssima apresentação. Quem esteve em Chapecó não tem a menor dúvida. Não fosse o fator político e teríamos vencido por 19 a 0.

Mas no próximo ano certamente levaremos 2012. Caçador não desistirá do sonho de tornar a realizar uma edição dos Jogos Abertos de Santa Catarina.

Novo Link

Na sessão ao lado, de Sites Favoritos, está o link para o site Dicas Financeiras. Acompanhem! Imperdível.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Por amor à Caçador. JASC tem de vir

Há 31 anos Caçador era pura festa. A cidade estava tomada por atletas, ginásios haviam sido construídos, nosso espírito hospitaleiro atingia seu auge. Há 31 anos Caçador era pura festa porque abrigava pela primeira e última vez uma edição dos Jogos Abertos de Santa Catarina, os JASC.

Quem é envolvido com esportes sabe que o JASC está para Santa Catarina como as Olimpíadas estão para o mundo. O evento movimenta e muito a cidade sede, traz grande número de pessoas do estado inteiro para conhecê-la e nela gastar, divulga seus potenciais turísticos e econômicos, traz junto consigo o desenvolvimento.

Caçador merece isso. Não que Balneário Camboriú e Criciúma não mereçam. Mas por uma questão de senso de justiça, esse é o momento de Caçador. É o nosso momento porque esperamos há mais de três décadas por um evento que nos coloque novamente no centro do noticiário estadual. É o nosso momento porque Balneário Camboriú é um centro turístico internacional e não precisa tanto quanto o berço do Contestado deste evento para divulgar suas potencialidades. É o nosso momento porque Criciúma, terra do carvão e com um ex-governador do Estado há menos de dois anos, também não precisa tanto quanto precisamos deste evento.

Por amor à Caçador os Jogos Abertos de Santa Catarina tem de vir para cá. A comunidade empresarial está mobilizada lutando pelo evento. A classe política, com a liderança do prefeito Saulo Sperotto (PSDB) e sua equipe, apoiados ainda pelos outros seis prefeitos que compõe a regional e por secretários de Estado, também se jogou de cabeça.

Há 31 anos Caçador era pura festa. Que hoje, os Conselheiros do Desporto de Santa Catarina tenham a sensibilidade para transformar 2011 em um retorno no tempo. Com muito mais beleza, com muito mais estrutura, com ainda mais hospitalidade de nossa gente. Porque este é um dos momentos mais importantes da história de nosso município. Todos que amam esta terra e querem vê-la próspera, lutam pelos JASC.

Por amor à Caçador, com todo nosso envolvimento e disposição de nossa gente, não tenho dúvidas. O JASC virá.

Por amor à Caçador, o JASC tem de vir.

Porque fazer jornalismo em Caçador vale a pena!

Recebi o seguinte e-mail do grande empresário e líder caçadorense Rui Caramori. É por ter o reconhecimento de líderes deste gabarito que há cada dia que passa tenho mais orgulho de fazer jornalismo nesta terra fantástica.

Prezado Eduardo Bisotto!
Como leitor de sua coluna no Jornal Informe, quero parabenizá-lo pela coerência e forma com que tens levado para nossa população as informações e o desenrolar dos fatos que ocorrem em nosso município.
Ser grande, além do significado trivial, também significa pensar no bem comum.
Caçador terá melhor qualidade de vida se unirmos esforços.
Um dia lutamos pela UnC, ontem lutamos pela UNIARP, hoje estamos somando esforços para em 2011 trazermos os JASC para Caçador. Isso tudo em prol de nossa gente.
Temos certeza que sua luta como jornalista, que tivemos a oportunidade de conhecer e ver a grandeza que norteia os teus pensamentos, poderá engrandecer, enaltecer e ajudar no desenvolvimento de nossa comunidade.
Parabéns!
Rui Caramori

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Escola Tancredo de política

Coluna do dia 12/09/09 no Jornal Informe

O Secretário de Estado de Coordenação e Articulação, o caçadorense Valdir Cobalchini (PMDB), deu mais uma mostra durante a crise desencadeada pelo debate de unificação ou não da UNC que é cria da escola Tancredo de Almeida Neves de fazer política. Tal escola tem suas raízes mais profundas fincadas nos rincões mineiros e sua presidência hoje é ocupada por Aécio Neves (PSDV), futuro presidente do Brasil.

A escola Tancredo tem uma série de matérias obrigatórias para que o aluno possa ser aprovado. A primeira é a paciência política. Saber esperar o momento de agir. E chegado o momento não pensar duas vezes e se jogar de cabeça. Sintetiza-se na célebre frase de Tancredo. “Demoro para decidir ir ao Rubicão. Mas ninguém vai ao Rubicão só para pescar”. Firmeza e atitudes decisivas é outra matéria. Essa é muito bem ensinada quando Tancredo procura Getúlio, ainda jovem e já respondendo pelo seu ministério da Justiça, e pede que o Presidente lhe passe o ministério da Guerra. “Me dê o ministério e em uma semana resolvo a situação”, declarou. Fora outras tantas matérias que se ensinam por lá e sua descrição certamente não caberia neste espaço.
Cobalchini foi paciente quando as posições estavam radicalizadas entre pró e contra unificação. Esperou a situação clarear. Tomada a decisão de não unificar, se prontificou a ajudar no processo de reconhecimento da UNIARP. Seu argumento era simples, claro e correto: “Independente das disputas políticas não poderia deixar quase 4.000 acadêmicos a ver navios”, repete sempre que perguntado pelo assunto.

Ouvindo o Secretário discorrer sobre a nova Universidade, fica evidente sua paixão por Caçador. “Acredito que este seja o momento de pacificar, de nos unirmos, porque agora, acima de tudo, Caçador tem sua própria Universidade para construir”, destaca. “Não tomei posição no debate porque acredito que meu papel é este, o de construir a paz, o de fazer as partes sentarem-se à mesa novamente e todos juntos, construirmos a grande universidade que Caçador merece”, completa.

Em 1985, quando Tancredo era eleito Presidente da República, Cobalchini era um jovem de 21 anos, assessor parlamentar do então deputado federal Casildo Maldaner (PMDB). De lá para cá, conviveu com Ulysses, viu Tancredo falecer, assessorou três governadores e amadureceu muito.

Tem tudo para estar em vias de ser chamado a dar aulas na Universidade Tancredo de Almeida Neves de Política. Com P maiúsculo mesmo.

GORBACHEV: TRECHO DA ENTREVISTA AO EL PAÍS (10) SOBRE OS 20 ANOS DO MURO!

Do ex-Blog do Cesar Maia

1. Mas todos saem às vezes de suas células. Não há ninguém ideal. Não gosto quando Medvedev põe a máscara de duro; não é preciso. O importante é a força das convicções, de suas ideias. Se as pessoas veem que você tem convicção e se esforça, o seguirão e inclusive o perdoarão se você se enganar.

2. Putin é muito perdoado porque no começo fez muito para evitar que a Rússia se desintegrasse e depois chegou a chuva de dólares que deu possibilidade de fazer coisas. Mas em seu segundo mandato não utilizou essas possibilidades, isto é, não realizou a modernização de que o país precisava e também não fez tudo o que poderia ter feito no plano internacional. Seu discurso de Munique marca a diferença entre o primeiro e o segundo mandatos.

3. Os democratas ocidentais ilustrados se surpreenderam e fizeram uma careta de desagrado como se fossem uma assembleia de nobres diante da qual houvesse aparecido alguém de sapatos sujos. Besteiras! Disse coisas corretas, porque esfregaram os pés na Rússia (com Yeltsin) e descuidaram tanto dela que a Rússia se atrasou 15 anos.

4. Mas os russos tiraram conclusões. Meditaram longamente, mas as tiraram. A esperança de novas relações com os EUA, com o Ocidente, aquela euforia não deu em nada. Todos desejavam que a Rússia fosse frágil para poder fazer o que quisessem. Isso ficou na memória das pessoas, por isso apoiam Putin inclusive quando ele exagera.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Sobre formigas e galinhas

O francês Jean de La Fontaine, nascido aos 8 de julho do ano 1621 da Graça do Nosso Senhor, foi o responsável pelo ressurgimento de diversas fábulas que haviam sido completamente esquecidas durante a Idade Média. Uma das mais famosas é sobre “Cigarras e Formigas”. Enquanto as formigas trabalhavam durante todo o verão e primavera, as cigarras apenas faziam festa cantando. Chegado o inverno, as formigas tinham alimento, podendo atravessar os rigores daquela fase do ano. Já as cigarras penavam por sua preguiça. A fábula é atribuída ao grego Esopo e teria sido resgatada por La Fontaine.

Este humilde escriba não chega nem aos pés da sofisticação de um La Fontaine, quem dirá de um Esopo, mesmo assim, resolvi aproveitar a fábula das formigas e das cigarras e criar a minha própria, mesmo não sendo tão fábula assim: vou falar sobre formigas e galinhas.

Quando a discussão sobre unificar ou não com os demais campi da UnC chegou á Assembléia Geral da ex-Fundação UnC Caçador, as formigas foram atrás de estudar todo o processo. Contrataram consultorias, analisaram balancetes, perderam horas e mais horas para saber o que era melhor para Caçador. Enquanto isso, galinhas cacarejavam aonde pudessem, anunciando o Armagedom. Cursos seriam extintos, diplomas perderiam a validade, o Grande Dragão finalmente agitaria sua cauda e os anjos tocariam as trombetas, derramando todas as pragas apocalípticas sobre a Universidade e sobre Caçador, caso a sua amada unificação não fosse aprovada.

Depois de muito estudo finalmente as formigas chegaram à conclusão de que a unificação era uma barca furada. Interessava tão somente às galinhas, loucas para aumentar sua dose de ração. Resolveram reagir. Não aprovaram a amada (apenas pelas galinhas) unificação.

O terrorismo das galinhas não parou. Era o fim. Bastava esperar um pouquinho e os anjos tocariam as trombetas, o dragão balançaria a cauda e a destruição teria início. O Conselho Estadual de Educação acabaria com a nascente UNIARP, varreria ela do mapa, não aprovaria seus cursos. Única solução para acadêmicos era procurar outras universidades.

O que as galinhas nunca contaram, foi com o trabalho silencioso das formigas. Os cursos estão garantidos. A UNIARP foi reconhecida. E o Armagedom não começou.
Parabéns as formigas, em especial Gilberto Seleme, Rui Caramori, Moacir Salamoni e Luís Eugênio Beltrami, que trabalharam silenciosa e incansavelmente pelo melhor para nossa comunidade, mesmo que debaixo dos piores impropérios vindos das galinhas.

Parabéns ao Secretário Valdir Cobalchini (PMDB), que teve papel decisivo no Conselho Estadual de Educação. Parabéns aos tantos acadêmicos, professores e servidores que os ajudaram. Esta vitória é de toda a comunidade.

Bem Vinda UNIARP! A Caçador das formigas o recebe de braços abertos!

O jogo de Aécio

Aécio Neves (PSDB), governador de Minas Gerais e futuro Presidente da República, está jogando um jogo interessantíssimo. Ao mesmo tempo que investe na tradicional forma de fazer política mineira, agregando o máximo que pode e fugindo da armadilha do plebiscito Lula x FHC montada pelos feiticeiros palacianos, faz um discurso que soa como música para quem traz em suas convicções a ideologia conservadora. O conservadorismo que por sinal aparece pesquisa atrás da pesquisa no centro das convicções do povo brasileiro e até aqui não foi defendido por nenhum candidato a presidente, pelo menos desde Collor em 89.

Com um jogo destes Aécio está se mostrando um profissional da política que se aproxima a cada dia mais do nível de jogo de seu avô. Tancredo era um anti-esquerdista nato que nem por isso precisava conflitar com os esquerdistas. Pelo contrário, agregava o máximo que pudesse deles no seu leque de alianças. Tanto que rachou o PT no Colégio Eleitoral em 1985. Aécio era secretário particular do avô. Parece que aprendeu bem a lição. Aliviar na forma e arrochar no conteúdo.

Em econômia um governo do Presidente Aécio certamente seria o máximo de ortodoxia, principalmente na parte fiscal. O discurso seria em direção à sociedade e não ao Estado. E em política faria o que Collor não soube, jogando fora a melhor chance conservadora das últimas três décadas no Brasil, agregando o máximo que pudesse para governar com tranqüilidade. Vale lembrar que Aécio foi Presidente da Câmara dos Deputados. Conhece os meandros do Congresso Nacional como poucos.

Quanto à candidatura do PSDB pode ficar tranqüilo. Serra já refugou em 2006 quando era o candidato nato e aparecia embolado com Lula. Vai refugar de novo. É só esperar pra ver. Dilma vai chegar no início do ano com alguma coisa entre 20 e 25%. Serra se assusta e vai pra reeleição em São Paulo. Não é a tôa que está pedindo tanto prazo.

Único erro que Aécio não pode cometer é sacramentar candidatura ao Senado em janeiro. É ter paciência, como o avô sempre teve, continuar com postura de candidato à Presidente, correr o Brasil, se apresentar, falar o que pensa, articular alianças fora do partido e esperar. Em junho, quando o jogo começar pra valer, será ele o candidato.

E depois da vitória, se tornará o Lula da direita brasileira. Que finalmente terá um líder de verdade.